Em 2015 eu me apaixonei pela primeira vez. Foi pelo Facebook. Eu conheci um ator de São Paulo extremamente feliz, otimista e aberto ao mundo. Ficamos tão conectados que comprei uma passagem para passar dez dias lá com ele, a família e os amigos. No instante em que eu pisei fora do avião e encarei aquelas pessoas, o rumo da minha vida mudou. Entre elas estava quem atualmente são os meus amigos mais queridos. Grandes seres humanos que, mesmo ausentes, merecem um enorme carinho. Entre eles estava a Silvia.

Silvia é uma amiga do meu ex, que foi peça fundamental pro meu amadurecimento. Ela tem 48 anos e eu 21, mas sinto como se já nos conhecêssemos desde antes do meu nascimento. Quando converso com ela pessoalmente é como se virássemos duas criancinhas sentadas na cama, eternamente rindo e brincando. É transcendente. Uma semana depois da viagem, eu terminei meu relacionamento e voltei pra Santa Catarina, mas a Silvia continuou comigo. No meu coração. Em 2016 eu a visitei novamente e combinamos mais um encontro para o próximo ano. Infelizmente não deu certo. Em junho de 2017 ela realizou um sonho antigo, foi embora com a família para Nova Zelândia. Viveria a vida que sempre sonhou.

“Se você pode sonhar, você pode realizar”, Walt Disney.

Na última semana completou um ano que a Silva seguiu o próprio caminho. Ela vive com o marido e o filho (saudades, inclusive <3) numa cidade lindíssima, com vista pro mar, flores pelos cercados, um outono encantador. Foi a vida que ela sempre idealizou. Silvia é uma das adeptas do “Segredo”, da Rhonda Byrne. Depois que leu o livro, ainda em São Paulo, ela organizou um espaço sagrado, em casa, aonde reuniu desejos de lugares que gostaria de conhecer, atividades que adoraria realizar, países do mapa que faltava marcar. Ela organizou e mentalizou. Desde aquele primeiro dia, ao definir o objetivo de morar fora, as engrenagens do Universo começaram a girar a seu favor.

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Silvia e o marido, Osni, no Outono da Nova Zelândia.

Silvia colou na parede a foto de uma casa que amaria morar. Alguns anos mais tarde, ao chegar na Nova Zelândia, ela descobriu que a casa reservada era igual à da colagem. Silvia começou a aprender inglês, encontrou um novo emprego e, graças à dedicação, foi premiada com um cruzeiro pela Indonésia: passaria por Tailândia, Bali, Malásia, dentre outros pontos do sul da Ásia. O dia de embarcar no cruzeiro caiu no mesmo dia que ela deixou o Brasil, 21 de junho, exatamente um ano depois. Enquanto o planeta dava uma volta ao redor do sol, a pequena vida de Silvia se retraia, se expandia, se transformava e se moldava. Silvia não se fixou numa antiga vida satisfatória, apenas fluiu com as transformações da existência. Disse sim ao Universo e ele abriu os braços para acolhê-la como sua filha.

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Eu e a Silvia em 2015.

Hoje cedo (lá, tarde) nós trocamos algumas mensagens e agradecemos um ao outro pela amizade. Dia 28 de junho de 2018, enquanto escrevo isso, ela está na metade do cruzeiro. No momento em que entrei em contato, Silvia caminhava pelas areias de uma praia paradisíaca, agradecendo aos deuses, sorrindo, satisfazendo-se com o próprio ser. Acredito que a inspirei a publicar seu primeiro livro. E ela me inspirou a não me apegar, pois tudo se transforma. Aprendemos juntos que a idade nada tem a ver com as conexões humanas. Sendo ela a minha amiga de infância ou minha bisavó, era quem era: um ser. É pelas energias que nossos seres se conversam, independente da idade.

Contei a ela que, por coincidência, também estou num período de transformações (fazer 21 quebra muitas barreiras), porém Silvia me disse que nos transformamos até o último respirar. Não acaba. É um processo incessante. Ela disse “Essa coisa de transformação vai acontecer na sua vida inteira. Isso que é lindo na vida. Essa eterna transformação. A Silvia de 48 anos hoje é outra, talvez a milionésima Silvia da minha vida, dessa mesma vida. Então a gente muda constantemente. É como diz o Raul Seixas:”

 “Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo”.

“A gente tem que falar sim pra vida, tem que aceitar, tem que abrir o peito e encarar as dores, as frustrações, as coisas que não saíram como a gente queria, as outras maravilhosas que aconteceram mais maravilhosamente do que esperávamos, superar as expectativas… este é o encantamento da vida, sabe? E eu to aqui em Bali hoje, eu sou budista hoje, mas acho que não é o fim da minha transformação. Ela continuará até eu parar de respirar, porque é pra isso que eu estou aqui. Pra isso que a gente tá aqui. Para ver, ouvir, aprender, se transformar. Claro que, em algumas coisas, eu continuo a mesma. Eu sou a Silvia que ama o Osni, o Lucas, a Luiza, o Lázaro, o Gean, a Rose, meu sogro, a minha família… essa Silvia é a mesma. Acabo acumulando várias Silvias com o passar dos dias. Conforme eu vou encarando as minhas transformações, eu vou adaptando a nova Silvia aos velhos sentimentos. A gente é assim. A vida é assim. A gente vai aguentando no coração, colocando coisinhas no lugar, dando a devida perspectiva aos problemas, é isso que vai trazendo a paz interior“.

Uma paz que, para mim, Gean, pode ser traduzida por “felicidade”. Mas não uma felicidade fixa, que só se encontra quando alcançamos um status, um limite bancário, ou uma vida de flashs e autógrafos. É uma felicidade genuína, que nasce do contentamento com a existência. Nasce da gratidão por respirar e se transformar, ainda que as mudanças não correspondam às nossas expectativas.

Durante aquela caminhada pela praia, enquanto observava as colegas do cruzeiro, frenéticas, correndo para comprar num mercado fervilhando de gente, Silvia disse perceber que ninguém vivia o momento. Estavam tão preocupadas com o que fazer e adquirir, que nem sequer caminharam pela areia. Não pararam para admirar a lua. Não agradeceram pela oportunidade única de estar em Bali, numa das praias mais lindas deste mundo. A cena trouxe à tona uma história de Ghandhi: contam que, certa vez, quando Ghandhi passeava em Paris, ele parou à frente de uma relojoaria e ficou olhando uma joia. O atendente apareceu e perguntou se precisava de algo, mas Ghandhi negou: “Na verdade eu só estava olhando tudo o que eu não preciso“.

Eu gostaria de terminar este texto da melhor forma possível: agradecendo. Agora eu sei que todas as mudanças da vida (até as que no início pareciam ruins) me transformaram no que sou hoje. Eu não seria quem sou se não tivesse terminado aquele relacionamento, conhecido a Silvia, desistido e encontrado tantos novos sonhos. Eu não teria aprendido sem antes errar. Não teria feito meu melhor sem aquele primeiro “não”. Agradeço ao Universo por cruzar nossos caminhos. Sei que, embora pareça, o meu encontro com Silvia não foi coincidência. Caso não nos conhecêssemos, eu seria outro Gean.Untitled-1

Algumas fotos que a Silvia tirou ontem, dia 28, em Bali: 

 

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11 Comentários

  1. Que postagem maravilhosa. História linda, cheia de reflexões e aprendizado. Quem tem amigos tem tudo. O que seríamos de nós se não pudéssemos sonhar e ter amigos com quem compartilhar?
    Obrigada por curti o meu blog. Estou seguindo o seu. Volte lá mais vezes, será sempre bem vindo. Um abraço
    Cinthia

    Curtido por 1 pessoa

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