Estava no Tinder trocando umas mensagens com uma pessoa lá. “Pessoa porque é alguém que eu, nem de longe, pensava em conversar. Isso porque o cara tem nariz empinado, ostenta no Instagram, e parece que se acha melhor que os outros no mundo. Mas peraí… Enquanto conversávamos ele não foi grosso comigo. Até me fez rir, soava interessado… Foi então que me veio à cabeça: “Qual será o maior erro que as pessoas pensam sobre mim?

Bom, algumas pessoas devem me achar mesquinho. É… Eu sou mesmo, mas nem sempre. Talvez também me considerem um narizinho empinado, que se acha, mas eu não sou. Quer dizer… não sou? Ou será que sou? Será que é por isso que pensam isso de mim? Mas eu não devo ser. Não… eu sou uma pessoa tão boa… igual ele, que descobri no Tinder. Ele nem é mesquinha, nem se acha, nem nada. É um cara normal. Então perguntei:

Qual o maior erro que as pessoas pensam sobre você“. E ele disse: “Acho que as pessoas me consideram nariz empinado… não sei porque dessa impressão, mas já me disseram isso”. “E você se considera nariz empinado?“, eu retorqui. E ele disse: “Acho que não… você me considera?”. E eu não sabia o que responder. Porque não sabia mais se o considerava ou não considerava. Acho que não considerava mais. “Não considero“. “Ah, que bom, eu não sou”, finalizou ele.

É estranha a forma como vemos os outros. Nós não os enxergamos como seres humanos, que sentem, que choram, que se apaixonam e que erram… Parece que não são como nós. Olhamos para as roupas e julgamos ver por completo. Nos esquecemos que bem ou mal vestida há uma pessoa por baixo de tudo. Que pobre ou rica, é uma pessoa. Que famosa ou mendiga, é uma pessoa. E como nós, ela tem as mesmas dúvidas, inseguranças, incertezas, medos e perdas. Até o mais outro de nós ainda é como nós: é um pouco de tudo, mas nunca uma coisa só.

Descobri que a minha aversão é puro reflexo de como sou por dentro. Eu sou julgado pelos outros quando escolho roupas feias. E admirado quando estou bem vestido. Mas continuo sendo o mesmo, elogiado ou insultado. O mesmo peito se abre de alegria ou dói de dor. Os mesmos ouvidos recebem tudo. Ainda assim eu tenho a covardia de olhar para o outro e por-lhe um rótulo. De achar que é pior pelas fotos que posta, pelas roupas que veste, pelo modo de agir.

O maior erro que eu cometo em relação às pessoas? Olho pras roupas ao invés de olhar nos olhos.

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