Hoje resolvi fazer tudo com calma. Primeiro levantei, calcei as pantufas, dobrei as cobertas, abri a janela e observei o movimento pelo condomínio. Depois fui à cozinha e, muito calmamente, ensaboei os talheres. Esfreguei com a esponja, lavei na água quente, sequei e guardei cada coisa em seu devido lugar. Olhei para o relógio: eu demorara dez minutos a menos do que eu normalmente levo.

Engraçado perceber isto. Realizar as minhas atividades com pressa não altera o tempo do relógio. São segundos, minutos, horas e dias que passam com a mesma velocidade em ambos os casos. A diferença é que a pressa gera desorganização e falta de atenção. Aí acabo pensando em outras coisas, ficando ansioso, perdendo o ritmo e não fazendo mais nada. No final das contas, fazer “correndo” é uma perda de tempo.

Eu gosto de lembrar como são os animais. Pode ser qualquer um, desde cachorro à girafa. Eles não sabem em que ano nós estamos. Não sabem nem se é sexta-feira, sábado ou segunda. Para eles cada dia é único. Cada instante de sobrevivência é o que conta. Não amanhã, nem ontem. Por isso são atentos às presas e predadores. Pois não medem o tempo, mas fazem o tempo de vida valer.

Nós seres humanos somos a única espécie que conta a própria finitude. Nós nos ressentimos pelo passado e nos penduramos num futuro incerto. Escolhemos criar expectativas, ficar ansiosos, guardar rancores corrosivos, viver pensando no que poderia ter sido e no que será, mas não no que é. Não pensamos na sujeira dos talheres, nem na quantidade de sabão. Mas nos trabalhos para fazer, na comida para preparar, no tempo perdido que já se foi. E a louça fica de qualquer jeito. E o trabalho fica pra depois. E a comida fica sem sal. Percebe o perigo?

Se não soubéssemos que estamos em 2018 nós não saberíamos quanto se passou e nem quanto há pela frente. Viveríamos cada instante como se fosse único. Porque é. Perceberíamos que o futuro não passa de criação mental e que o passado já passou. Está escrito, encadernado e publicado. Não há como fazer revisões. Mas dá pra ler e alterar as próximas páginas. Estamos escrevendo nossa história neste exato momento.

Acalme-se, escolha objetivos, defina prioridades e lute pelo que acredita. Aqui e agora. Não amanhã. O amanhã não existe e nem nunca existirá. É sempre hoje. Todos os dias. Até mesmo nos nossos 40, 50, 60 anos. Quando chegarmos lá não será amanhã. Estaremos lá. Melhor então respirar e prestar atenção a cada passo. Nunca saberemos quando será o último.

Comece pela louça e transforme sua existência. A decisão é sua.

P.S. Uma inspiração:

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