Estava acompanhando uma discussão em rede social sobre um determinado candidato à presidência. De um lado, o fã defendia o cara sob os argumentos de melhora na economia, reforma nas escolas e garantia de direitos humanos. Do outro, um grupo de cinco pessoas rebatia com xingamentos, emojis irritados e aquele tradicional: “Meu pensamento é melhor do que o seu”. Logo, o cara de cima respondeu embaixo reafirmando o pensamento, que, para mim, parecia muito melhor embasado.

Isso não tem a ver com direita ou esquerda. Vai muito além. Observando os comentários, eu percebi duas formas distintas de pensar: a forma estrutural e a superficial. Para mim, o pensamento superficial é como um tijolo sustentado por um caniço em riste. O tijolo representa as certezas, o pensamento imutável, aquilo que eu sei e todos os outros também devem saber. Basta apenas um sopro de vento para o caniço quebrar e o tijolo ir ao chão.

Já o pensamento estrutural é aquele construído tijolo a tijolo. Cada tijolinho é um conhecimento de mundo, uma descoberta sobre si mesmo, a formulação de um novo pensamento. Mas cada pensamento está co-relacionado com o tijolo anterior. Assim pode-se fazer afirmações, pois reconhece-se o porque do pensamento. Se eu tenho uma estrutura e sei porque penso desta forma, fica mais fácil de fazer o outro entender. Dá para explicar, tijolo a tijolo, os motivos para a construção da minha ideologia ou modo de pensar.

Quando o pensamento estrutural encontra o superficial há conflito, pois quem tem muitas certezas não pensa. Não reflete. Não reavalia as próprias escolhas nem ouve o outro lado. Quando dois pensamentos estruturais se encontram há diálogo. Há uma troca de materiais que auxiliam em ambas as construções. Mas quando o superficial encontra o superficial não há troca. Ou melhor, são palavras trocadas no vazio. Tão fracas e sem sentido quanto uma brisa que não levanta sequer a poeira de cima do tijolo.

Uma casa simples construída sobre base sólida é mais forte que uma mansão sustentada por caniços.

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7 Comentários

  1. Como compreendo bem o que quer dizer. Mas por vezes, conversar com pessoas superficiais pode levar ao quase “desespero” se não soubermos parar. No que diz respeito às eleições ainda é bastante pior, porque as pessoas nao se querem informar, lá está, ficam pelo superficial pelo que não é verdade não há afundamento nos assuntos e nao os sabem discutir. É muito, muito complicado… Depois entramos na velha historia do não vão votar. “Eu nao votei neles”; “Eu nao quero que isto aconteça”;”Eles nao podem fazer isto”… pff…

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  2. Tenho uma experiência semelhante, que é a de alguém desandar a me fazer preleções com tal calma, com tal certeza, que a gente fica com impressão de aquela pessoa acredita que “todo mundo”, “nada mais lógico”, pensa como ela. Ou, se não pensa, já se desqualificou e mostrou que pertence ao “outro Lado”, avesso ao lado do Bem, do “todo mundo”. Nunca levei uma conversa assim adiante até porque nunca houve conversa ali. Gostei das suas considerações. Elegantes. Abraço.

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