Hoje eu voltava do trabalho pela beira-rio, o mesmo caminho que faço sempre. Com a pressa de sempre. Aí eu fui parar pra atravessar, a poucas esquinas de casa, e olhei para uma árvore do lado de lá da calçada. Mas quando eu olhei para a árvore eu não só olhei para ela. Eu vi a árvore. Eu vi como ela é de verdade, como quem vê um relâmpago claro. Eu vi o que é a árvore.

Na correria do tempo, eu passo pela rua apático. Os cenários e pessoas são só luzes e borrões. Então do nada eu vi aquela árvore, aquela que eu passo ao lado todos os dias, mas nunca parei pra reparar. Eu vi que ela é uma árvore grande, robusta, cheia de ramificações. Provavelmente centenária. Eu vi que os galhos dela são para fora, as raízes vão engrossando, estão se espalhando pela cidade.

Mas antes de haver uma cidade, essa árvore já estava ali. Quando ela ali surgiu não tinha mais nada. Só ela. Só mato. Vieram cem anos de vidas humanas, mais cem, gerações e gerações de pessoas que passam, constroem… e ela permanece ali. Crescendo quietinha, em silêncio, e a gente nem repara. Ela parecia menor quando a vi primeiro. Como se eu, ser humano, fosse um ser superior à árvore. Mas antes de eu nascer, ela já existia. Ela já estava viva. E depois que eu morrer, ela continuará ali. Continuará a crescer.

E às vezes eu me acho o dono do mundo.
Nossa… como pode.Untitled-1

 

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