Uma casinha com janela aberta entrando o sol. Uma família de tios, sobrinhos, avós, sentados na mesa, sorrindo. Duas meninas no gramado pulando corda. Cachorros latindo. Os tios, já meio bêbados, deitados pelo piso coçando a barriga. É uma tarde de domingo na casa de minha avó. Quando ainda tínhamos uns aos outros. Quando éramos família.

Os mais novos contando o tempo pra ir tomar banho no rio. As mães, mortinhas de preguiça, dizendo: “espera a comida descer”. Mas criança espera? Claro que não. Então decidem os dois mais velhos, de nove e dez anos, saírem escondidos sem que ninguém veja. Correm pelo morro de areão, pulam as cercas de arame e desbravam o gramado, livres, com galhinhos  na mão representando as espadas.

Entram os dois na água gelada. Pulam de pedra em pedra, mergulham, aí escutam uma voz chamar: “Tais e Gean, voltem aqui senão vocês vão apanhar!“. E sobem o barranco, apressados, profundamente assustados, retornando à casa da avó.

Era um dia comum pra aquela criança.
Hoje, uma de minhas lembranças mais preciosas.

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