O olhar de menino me acompanha aonde eu for. Só de olhar uma flor, respirar fundo e pensar sobre o que eu vi, minha mente floresce de dúvidas. “Será que flor sente?”, pergunta-me uma pétala. “Será que conversam entre si?”, sussurra um galhinho. Sopra o vento e levanta as perguntas, eternamente não respondidas.

O mesmo ocorre quando encaro o espelho e vejo além do vidro. Olho para dentro dos dois olhos bem na frente arregalados. “Quem está aí dentro?”, pergunto à pupila. “É um ser? Uma alma? Uma sensação?”. Pisco, mas ela nada responde. Só silêncio. Deixo pra lá. Não dá mais tempo. Tenho que ir trabalhar.

No caminho, uma cerca, que é parte do mundo, me convida a me aproximar. Roço os dedos na parede áspera – como fazia o menino, correndo descalço na brita pontuda. Doer, doía. Mas só me importava o descobrir dos arredores de casa. Assim soltava pipa, descia morros de bicicleta e raspava pelo chão nas curvas perdidas.

O jogo de criança virou memória distante.
Os risos dos garotos são minha confiança amarga.
Aquela inocência que se foi não me afeta.
Mas faz falta.

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