Era aniversário da minha prima: 9 anos de idade. Pensei bem se eu daria brinquedo, roupa e no que a deixaria mais feliz. Optei por um livro: Cinderela. Uma história infantil inspiradora que me ensinou a lutar por objetivos e, desde pequeno, me entretinha muito. Enviei por correio, mas duas semanas depois o livro retornou junto a um bilhete da minha tia. Dizia que, por causa da religião, a pequena fora proibida pelos pais de ler histórias infantis. Isso porque bruxas, fadas e magia de todo o tipo eram coisas do diabo.

Fiquei sem reação. Quantas crianças, tal como a minha prima, são usadas diariamente como instrumentos de evangelização? Quantas são privadas do senso crítico e expostas às crenças retrógradas, misóginas, racistas, homofóbicas e abomináveis no lugar? Além de não ler certos livros, depois descobri que ela fora privada de desenhos animados, filmes de aventura, brincadeiras “irreais” e festinhas de aniversário dos amigos da escola. Pois, de acordo com o “princípio bíblico”, festa é coisa de pecador. Será que o isolamento é, mesmo, o melhor caminho à santificação? Eu duvido. Pra mim tais atitudes não produzem santificados mas, sim, alienados.

Um caso recente de fanatismo viralizou nas redes sociais. No vídeo, uma menina que prega contra os homossexuais desabafa estar “indignada com o país que estamos vivendo”, pois o amor entre pessoas do mesmo sexo é “sem-vergonhice”. Confira:

https://www.youtube.com/watch?v=CylIv5Lag70

Como se não bastasse, o discurso de ódio disseminado em algumas igrejas não afeta apenas as crianças, mas os pais. Aí que mora o perigo. Exemplo disso é a história da mãe Denise Oliveira de Andrade que, em 2013, matou o filho de 4 anos, alegando que ele estava possuído pelo demônio. Ou da mãe Tatiana Lozano que, numa atitude religiosa, cortou a garganta do filho homossexual, de 19, no final de 2016. Ambos os crimes conectados à doutrina da família, que proibia, entre tantas coisas, os livros infantis.

Depois dos livros, os pequenos crescem e se acostumam: aí negam as peças de teatro, as palestras culturais, festas de 15, cervejinhas com os amigos, e todos os pontos de vista que não estão em Gênesis, Êxodo ou no Apocalipse. Chamam isso de educação religiosa. Prefiro o termo “educação para a ignorância”. Pois um sapatinho de cristal é, sem dúvidas, muito pior que a história bíblica de Eliseu, que assassinou brutalmente 42 meninos em razão de um simples deboche.

Pobres crianças vítimas do fanatismo religioso. Forçadas a exercerem uma rotina imposta, bem como a própria Cinderela enquanto escrava da madrasta. Se me dada uma fada-madrinha, eu desejaria que os pais e mães abrissem as mentes ao que há além da bíblia. Só assim para as crianças não crescerem com as mentes tão limitadas quanto um baile que termina à meia-noite.

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