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Arkecia Santana.

Saber que alguém que leu seu livro (e gostou) é uma sensação incrível. Agora, saber que alguém de Marselha, França, leu seu livro e que está esperando ansiosamente

pelo próximo, é motivo para abrir o documento de texto e começar a escrevê-lo!! É o caso da Arkecia Santana, uma leitora maravilhosa que me enviou essa resenha via direct no Instagram hoje. Pedi se poderia publicar aqui e voilà! (vualá). Boa leitura:

Resenha de “Guerreiro”, por Arkecia Santana:

Separado pelas partes 1, 2 e 3 do livro.

Parte 1

Logo no primeiro capítulo, temos a impressão que o autor fala diretamente com os seus leitores, cativando a atenção deles. Sendo assim, a distancia que poderia existir entre um personagem fictício e o leitor desaparece; nós nos vemos como confidentes e não como simples telespectadores da história, por isso que, naturalmente damos mais importância às palavras que serão ouvidas/ lidas. Palavras que levam o leitor a incorporar o personagem Jerry.

Jerry: garoto jovem, orgulhoso (não no mau sentido, não encontrei adjetivo melhor) de seus atos, e orgulhoso do percurso que já fez (o primeiro paragrafo já prepara o campo para o autor introduzir as provas do que Jerry já passou). Apresenta a sua autobiografia com uma descrição física no primeiro plano: fixa a sua imagem nos pensamentos dos leitores. Também apresenta o pai rapidamente: sem dons para criança, mas, mesmo assim, presente para o filho. Ausência de perfil materno num primeiro plano.

O Jerry do presente fala da infância dele  (Jerry passado) com toda a sinceridade, inocência, traumas e felicidades. O narrador conversa diretamente com o leitor, tirando a distância entre os dois. Assim, o livro deixa de ser só um pedaço de papel e se parece com uma confissão escrita. Essa técnica permite que a pessoa se sinta ligada com o Jerry desde o início e se identifique na sua história (que mostra todo o percusso e a evolução dos seus pensamentos).

Pouco a pouco, o Jerry do presente apresenta a evolução do Jerry do passado, as trapaças, inseguranças, manipulações etc. Permite-nos acompanhar a psicologia do personagem. Jerry apresenta sinais de psicose, (bem retratados! Parabéns) que levam à automutilação, etapa importantíssima do livro. Vale ressaltar que a sua mãe deixou-o na mão não indo ao colégio, nem ficando com o garoto quando a verdade foi dita. Um acontecimento que tona Jerry, uma pessoa sem nenhuma base na qual se apoiar, sozinho, sem nenhuma ajuda.

Às vezes eu esqueço de escrever por que o livro é muito bom, então vou fazer um tópico rápido das coisas que eu li:

– percebi que, talvez sem perceber, Guerreiro tem um narrador em duas épocas diferentes, o Jerry novo e o Jerry mais velho. O Jerry velho tem tendência de analisar o Jerry novo e explicar os seus julgamentos (como um psicólogo, escolha interessante);

– na estrutura do livro há relatos do Jerry jovem através um diário. A linguagem nessas páginas faz parecer muito verídico;

– a psicologia do personagem é bem explorada;

– a ausência da mãe no prólogo reflete a inexistência dela no resto do livro (várias vezes li/vi/ouvi que o prólogo deve dar todas as chaves para o livro. Que lendo ele, os leitores devem saber como termina a história);

– o espírito sonhador do personagem é quase um vício por avanço: na leitura, no sonho de ser rico, escrever (Jerry se mostra muito extremista, é um traço do autor? Ou é muito bom, ou não é nada bom);

– o vocabulário escolhido: quando o Jerry novo narra, eu percebo uma certa “inocência” de vocabulário, digno de uma criança de seis anos. Há uma mudança visível quando o Jerry velho narra (de propósito ou não?);

– a “traição” da Paula não é contada diretamente, ela é transcrita pelo diário como se fosse tão forte, que o autor não conseguisse falar por si só e precisasse passar por um terceiro.

Parte 2

Sem drama, sem enredo, assim que o pai do Jerry descobre sobre o filho, ele o interna imediatamente num hospital psiquiátrico. Mesmo que Jerry não goste de estar dentro do hospital, ele aceita rapidamente o lugar. Jerry quer não apenas se sentir normal, mas se convencer que ele não precisa de ajuda, pois tudo vai bem.

→ a psicóloga diz que falta vinte minutos para a terapia, às onze horas. Jerry, vendo o relógio no banheiro masculino, diz que é dez horas. Erro do autor?

→ muitas vezes, o autor explica ao leitor o termo de certas palavras Às vezes, para mostrá-lo que a palavra escolhida não é só uma dramatização, mas que ela é perfeita para ao tema;

→ mesmo sendo dia 23 de dezembro, Jerry não se manifesta sobre a morte da mãe dele. Por causa do remédio que o deixa super super chapado?

Jerry vai ai extremo com todas as consultas, com o psiquiatra, com a psicóloga e o novo “lar”, mas ele se adapta rápido, talvez rápido demais para alguém que julgava não ter nenhum problema;

A relação Jerry-Wendy evolui rapidamente. Wendy tem uma psicologia não muito desenvolvida no livro. Sabemos quais são os seus problemas mas não testemunhamos (apenas a parte do refeitório).

Parte 3

“Estava escuro, mas a silhueta do seu rosto frágil e gracioso não me deixava dúvidas: eu sentiria demais a falta dela. “ Só essa frase já diz que ele vai sair do hospital a deixar a Wendy (lágrimas). Nada a acrescentar, apenas ME DÊ RAINHA.

Seria cômico se não fosse hilário que, de uma hora para outra, 120 pessoas foram denunciar o valentão.

→ NB: Se lermos todas as frases em negrito do texto, vemos o fio condutor do enredo. Tente.

NB 2: eu vi que numa parte do livro há um trecho da música “Who you Are” da Jessie J ❤

Uma consideração final: o personagem principal é depressivo e, mesmo que a história fale sobre ele e ele seja o narrador, ele mesmo nunca tem uma voz. As palavras dele estão no enredo, não nos diálogos, entende? É incrível.

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